Franquia financeira se adapta à crise

Redes se preparam para nova realidade e até conseguem crescer no espaço deixado pelos pequenos negócios que não resistiram
(Fátima Lourenço, em O Diário do Comércio - Economia/Caixa 1 - página 5, 01, 02 e 03 de novembro de 2008)
Na última quarta-feira, o grupo presidido pelo empresário Rubens Zogbi Filho inaugurou, em Santo André, na Grande São Paulo, a sétima loja própria da PopMais. É a terceira marca da área financeira a adotar o franchising para ampliar a rede de correspondentes bancários, caminho já trilhado pelo Paraná Banco e pela Mult Financiamentos.
As metas do novo franqueador são ousadas, apesar da crise internacional e da retratação, para todo o mercado, da demanda por crédito cosignado (com desconto em folha), produto de peso no negócio. Segundo o sócio-diretor do grupo, Wilson Secali Filho, a meta é ter 512 unidades até 2013.
A crise, de acordo com ele, não afeta a PopMais porque as instituições financeiras parceiras da marca, como o HSBC e Unibanco, não têm problemas para captação de dinheiro – ao contrário dos bancos de nicho, que captam recusos a custo maior, compara Secali Filho. "Trabalhamos diretamente com os grandes", afirma.
Oportunidades
A PopMais, afirma o executivo, teria até se beneficiado dos reflexos da recente turbulência. "Os bancos pequenos, por não terem liquidez, estão perdendo carteira para os grandes. A demanda (por crédito) não aumentou, mas tomamos espaço de quem saiu".
A empresa também teria a seu favor a carteira de multiprodutos, com oferta de crédito pessoal, cosignado para clientes das áreas pública e privada, crédito imobiliário, financiamento de veículos e capital de giro para pequenas empresas. O cosignado representa 70% dos negócios mas, para Secali Filho, isso não significa risco à operação, por causa do "diferencial" da rede.
O que faz a diferença, afirma, é o know-how para compra de dívida de outros bancos. "Se você tem taxa menor, compra a dívida e prolonga o pagamento com parcelas menores. A maioria dos consumidores está endividada. O cosignado não é um ramo fácil. Só ficarão as empresas especializadas".
A saída do mercado de concorrentes dedicados apenas aos empréstimos com desconto em folha também poderá beneficiar os negócios da Mult Financiamentos, analisa o diretor e fundador José Jesus Trabulo de Sousa Júnior. "Surge um leque de oportunidades para o próximo ano, mas o mercado financeiro ainda está muito volúvel", ressalva.
No início deste ano, ele projetava expansão agressiva para a marca. Só a Grande São Paulo comportava 66 franquias. A diminuição dos financiamentos às pessoas físicas o levou a rever os planos. "Entendi que precisava fortalecer as franquias com outros produtos", diz. Além disso, buscou reforçar parcerias com grandes bancos. "Muitos parceiros, pequenos e médios, pararam de operar".
As providências, garante, conseguiram preservar o faturamento das franquias em uma faixa entre R$ 80 mil e R$ 100 mil por unidade. "Agora estamos prontos para crescer de forma orgânica e sustentada", diz Souza Júnior.
Na concorrente PopMais, a meta é abrir pelo menos quatro lojas por mês. Ter uma delas requer de R$ 90 mil a R$ 110 mil, fora o capital de giro. Como ocorre com outras redes do gênero, a remuneração do franqueado corresponde a um percentual sobre cada tipo de produto vendido. A comissão média, no caso da PopMais, é de 8%, já redimensionada para fazer frente aos eventuais efeitos da crise, explica a gerente de franquias Ana Paula Castellano. Antes, a taxa era de 11%. Projeta-se faturamento mensal de R$ 64 mil por loja, com lucro de em torno de R$ 45 mil.
Na Paraná Banco o crescimento se mantém, mas em ritmo menos acelerado que o inicialmente previsto – de 210 franquias em 2008. "Decidimos ir com mais cautela desde junho, para estruturar melhor o suporte", diz a diretora de franquias, Nile Mannrich. A necessidade apareceu com as lojas de estados mais distantes da sede. O recuo do cosignado "é um momento delicado", mas a franquia, ressalva, foi desenhada para vender outros produtos. "Ainda bem que eles estavam em implantação há um ano." Hoje, a rede opera com 105 lojas e deverá abrir outras 15 até o fim do ano.
Mercado de câmbio
Ainda no segmento financeiro do franchising, a Fitta Câmbio e Turismo não se ressente da crise, afirma o diretor-administrativo e sócio do Grupo Fitta, Rodrigo Vieira Macedo. "O mundo pode ficar mais pobre, mas o volume de pessoas com necessidade de viajar supera uma possível redução de movimento", diz. O que ocorreu, com a crise, foi que as agências da marca passaram a comprar muito mais dólares.
Para o franqueado, um correspondente cambial, não faz diferença. A remuneração vem das operações, sejam de compra ou venda. A crescente formalização desse mercado, acrescenta, também ajuda a equilobrar o negócio. Além do câmbio, a Fitta promete oferecer serviços como ensinar a operar como home broker, fazer transferências de dinheiro para qualquer lugar do mundo, operar com câmbio comercial. Há, ainda, o Fitta Cash Passaport, cartão com bandeira Visa pré-pago, carregável em dólar, euro ou libra. A rede tem 40 franquias vendidas e 24 em operação. Uma Fitta requer de R$ 130 mil a R$ 180 mil.